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domingo, 3 de novembro de 2013

RECORDAR A ANA



Olá Ana:

Há já dois anos que foste para um lugar donde vês os sorrisos que exibimos quando nos lembramos de ti e, tenho a certeza, partilha-los connosco.

Os "assobios", os "ninos iápapa", o "Nuno", .... as gargalhadas que o João Nuno te arrancava quando te fazia aquelas "maluqueiras" de que tanto gostavas ... recordamos-te com um sorriso como tu gostavas de ver em nós.

Temos saudades tuas Ana.







terça-feira, 30 de outubro de 2012

RECORDAR A ANA


Ontem recordámos a Ana.

Na igreja de S. João Baptista, na Quinta da Portela em Coimbra, realizou-se a missa do 1º aniversário em que a Ana nos deixou, partindo, para os que crêem e têm inabalável fé, para um lugar melhor e onde em paz repousa e nos observa.

A igreja estava muito bonita, enfeitada com muitas flores proporcionando ao local, bem iluminado, um ambiente de festa que contrasta com muitas das igrejas que conheço em que a penumbra nos transmite uma sensação de tristeza e nos inibe o sorriso.

Aqui não ... a luz e as flores emprestavam ao local uma alegria que contagiou todos os presentes. Alguns familiares e amigos ... e outros, julgo que colegas de profissão da Florbela, que cantaram no final da missa com alegria e sorrisos, uma bonita canção que era, ela também, um hino à alegria: "Adivinha o Quanto Gosto de Ti" de André Sardet.




No final, foi projectada uma apresentação, feita por um colega da Florbela, em que foram passando várias fotos da Ana, tendo como fundo musical a canção que o improvisado coro tinha acabado de cantar. Com saudade mas com um sorriso,  reconheci algumas das fotos, obtidas em minha própria casa, por ocasião das festas de aniversário dos nossos filhos, especialmente uma me fez abrir ainda mais o sorriso, em que a Ana tinha na cabeça um chapéu de bruxa, com cabelos vermelhos, chapéu esse que ainda hoje guardo.

Uma missa diferente pela intenção de alguém em que o padre, amigo dos pais da Ana, referiu na homilia que o amor é pedra fundamental na união das familias e, apesar das contrariedades e de muitas das vezes nos perguntar-mos "porquê eu?", nos ajuda a ultrapassar as dificuldades, olhando a nossa vida pela positiva, dando graças pelo que de bom nos acontece.

Claro que a alegria com que todos nós quisémos recordar a Ana foi, aqui e ali, entrecortada por algumas lágrimas que, teimosa e persistentemente, não conseguia reprimir e que me deixavam, até, embaraçado.

Foi um momento bonito e que me fez regressar a casa com uma sensação muito boa ... fui com imensa tristeza à missa e saí dela com uma sensação de "alívio" que me fez sorrir quando cheguei a casa e partilhei com todos: "Foi muito bonita a missa da Ana".

Que a Ana esteja, de facto, num lugar bom pois nós temos muitas saudades dela.


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

DESPEDIMO-NOS HOJE DA ANA

Hoje foi o funeral da Ana ...

Um momento de consternação em que não consegui evitar deixar escapar umas teimosas e persistentes lágrimas ... irreprimíveis mesmo com a vã ajuda do meu lenço na tentativa  de as "secar" antes de sairem ...
Detesto esta minha pouca capacidade para controlar as emoções ... dizem-me "chora que alivia ..." uma merda é o que é !!!

Os pais aguentaram firme e receberam com um sorriso todos os que se quiseram solidarizar neste momento ... pais corajosos a quem a convivência de quase 10 anos com a filha soube dar uma resistência e capacidade de transformar o sofrimento em algo positivo que não sei explicar.
Souberam amar aquela criança "diferente" dando uma lição de vida a todos os que lhes são próximo... Se acreditam que há um Deus, que há um lugar onde estão reunidos os que mostraram na sua passagem pela vida méritos para estarem nesse lugar junto d'Ele, eles terão, seguramente, um lugar bem perto ...
Como alguém disse ... "a Ana quer ver risos e brincadeiras porque era isso que a fazia feliz, a despertava e estimulava ... a confusão é que a faz sorrir ... "
... fica aqui o sorriso de toda a familia para ela...

domingo, 30 de outubro de 2011

HOJE É UM DIA TRISTE...


A Ana com 4 anos numa foto que ela própria me ofereceu na data do aniversário


Hoje é um dia triste para todos nós cá em casa e para mim em particular que não consigo esconder como por vezes gostaria, os meus sentimentos ... quem me conhece sabe que sou um "sentimentalão" e que as lágrimas me fluem com facilidade quer nos momentos de alegria quer nos de tristeza ... e hoje é, seguramente, um desses dias.

A minha afilhada Ana Sofia faleceu ontem à noite, no H. Pediátrico em Coimbra para onde tinha ido já com reduzidas esperanças numa melhoria do seu cada vez mais grave estado de saúde.

A Ana nasceu com uma doença genética rara, o síndrome de Hurler que se manifestou ainda com poucos meses de vida e que a condicionou para toda a sua breve existência.

Os pais, nossos amigos de há muitos anos, souberam ter uma coragem e um "à-vontade" com que lidavam com o problema que eu muitas vezes apontava como exemplo e referia que, eu próprio, não seria capaz de ter ... pais corajosos, que souberam lidar com a "diferença" da Ana e sempre procuraram manter a sua vida "normal" apesar das dificuldades que sabíamos ter mas, repito, sempre de cabeça levantada e com um entusiasmo que a maioria de nós não conseguiria ter ...

A Ana ao colo do pai na festa de aniversário da Joana em 2005

Estou triste, ... muito triste e choro, é irreprimível este choro ... recordo a Ana, nos momentos em que o seu estado de saúde melhor lhe permitiu viver  como criança que era -creio que talvez os 3 anos de idade tivessem correspondido ao seu melhor período - em que brincava com o seu irmão e os meus filhos.

Recordo ainda com muita ternura e já saudade expressões que ficaram na memória de todos como, por exemplo: "ninos, iá papa" (quando lhe pedíamos que fosse chamar o irmão e os meus filhos avisando que a refeição estava pronta); "nuno" (quando se queria referir ao meu filho João Nuno porque tratava o seu irmão por João),.. e muitas outras que nos faziam sorrir de forma meiga e muito ternurenta.
E já me esquecia dos assobios ... a Ana assobiava duma maneira tão engraçada que ria connosco quando assobiava... "assobia ó melro" dizia-lhe eu ...

Soube pelo pais que a sua partida foi um momento de paz e tranquilidade, numa cama do HP, junto deles e do irmão, a ouvir uma música, coisa que a mãe habitualmente lhe proporcionava nos momentos em que estava no hospital e que sabia que a tranquilizava ...

Choro ... e choro de forma que me faz interromper o raciocínio mas que alivia um pouco desta dor que magoa "cá dentro", ...  acredito que o momento devia ser de paz e serenidade por saber que, finalmente, a Ana e a sua familia, que tudo fez para lhe proporcionar uma vida o mais confortável possível, também agora poderão encontrar a sua paz e o seu sossego, que os desgastava ...
Mas que querem? ... sou assim, como disse no início ... um, pobre sentimentalão que por tudo e por nada chora ... e gostava muito da Ana .... merda de vida.