Noite de fados, num cenário lindíssimo, em frente à Igreja de Santa Cruz, com o grupo de fados Guitarras de Coimbra ...
Este é um espaço que pretende ser ... não sei bem o quê....do que me apetecer simplesmente... disparates e outras parvas reflexões!!! O autor deste blogue reserva-se no direito de amandar umas calinadas ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1900 e trócopasso ... e não aderiu a esta modernice da treta do novo acordo ...
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sexta-feira, 4 de julho de 2014
quinta-feira, 3 de julho de 2014
VISITA MOSTEIRO DE SANTA CLARA
Olá pessoal:
Mais uma visita cultural organizada pelo Dep. de Cultura da Câmara Municipal de Coimbra, desta vez ao Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.
Já o ano passado tinha feito uma visita ao de Santa Clara-a-Velha e ficou aguçado o apetite para esta.
Um grupo de mais de 30 participantes, que ouviu atentamente as explicações da Dra Branca Gonçalves, uma já "velha" conhecida destas lides culturais e que visitou a igreja, o Coro Baixo e os claustros.
Não conhecia o Coro Baixo e foi uma surpresa óptima. O ponto central de interesse é o túmulo original da Rainha Santa Isabel, obra lindíssima que foi mudado do antigo mosteiro, situado mais abaixo, junto ao rio Mondego.
A sua fundação, em 1283 por Dona Mor Dias, uma nobre abastada que estava recolhida em São João das Donas, onde hoje se encontra o carismático Café Santa Cruz, não foi pacífica pois, de certo modo, afrontava os interesses económicos dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho e, em 1311, foi mesmo extinto.
No entanto, em 1314, a Rainha Isabel, decidiu reinstalar as freiras Clarissas em Coimbra e, obtendo autorização do Papa, a sua construção começou nesse ano.
Quer Isabel de Aragão quer o seu marido, D. Dinis, eram pessoas mais cultas do que até ali a Casa Real tinha produzido.
D. Dinis foi o primeiro rei a saber ler e escrever e Isabel, educada por seu avô, Jaime I de Aragão, considerado igualmente um rei muito culto, também sabia ler e escrever e tinha algumas noções de alquimia, segredos destinado apenas aos homens à época.
A localização do mosteiro, junto ás margens do Rio Mondego, fez com que, gradualmente, fosse afundando naquele terreno pouco resistente ... o seu túmulo foi mudado para um piso superior para onde mais tarde toda a vida do convento se mudaria também deixando a parte mais baixa ao abandono e tomada pelas águas.
No sec XVII, por ordem do Rei D. João IV, foi ordenada a construção dum novo mosteiro, este que visitei, e em 1677 deu-se a transferência das religiosas e todo o espólio para o novo edifício.
O primitivo mosteiro, dessacralizado, passou a quinta agrícola e, alagado e soterrado a meia altura, degradou-se inexoravelmente chegando ao sec XX em estado de total ruína.
No entanto, em 1910, dada a sua importância, foi classificado monumento nacional e recuperado há alguns anos atrás.
Um bom momento sem dúvida ...
terça-feira, 30 de julho de 2013
REVISITAR COIMBRA
Para os que amam Coimbra ...
Lembram-se do "Taxeira" ?
Amigo que considero fez-me chegar esta foto que não deixou de me provocar um sorriso e um nostálgico humedecer de olhos ...
No café Pigalle
quarta-feira, 15 de maio de 2013
O "TAXEIRA" ...
Lembram-se do "Taxeira" ?
Conhecido ardina de Coimbra, vendedor do jornal humorístico "O Poney" ?
Saudades duma das figuras mais conhecidas do meio coimbrão e estudantil.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
VISITAR COIMBRA - IGREJA S. SALVADOR
Olá pessoal:
Mais uma visita a um recanto de Coimbra ... em mais uma iniciativa do Dep. Cultura da Câmara Municipal, que se aplaude.
As origens da igreja de S. Salvador como hoje é conhecida, remontam a data anterior à conquista da cidade de Coimbra, em 1064.
Inicialmente conhecida como Igreja do Salvador, a alteração linguística com que o povo sempre corrompe algumas palavras, fizeram com que, hoje, seja assim conhecida.
Em escritos do Mosteiro da Vacariça, importante mosteiro cuja influência ia desde as terras hoje do Luso e Mealhada, até ao Douro, já se encontram referências à igreja do Salvador, como fazendo então parte dos seus domínios. O Mosteiro da Vacariça foi doado à Sé de Coimbra em 1094, quando esta passou a ser o mais importante centro do Portugal de então.
A visita foi mais uma vez guiada pela competente e simpática Drª Branca Gonçalves, do dep. de Cultura da Câmara de Coimbra que teve oportunidade de explicar ao vasto grupo, os pormenores mais interessantes deste monumento que, infelizmente, está fechado e apenas abre em ocasiões especiais.
Em frente à igreja encontram-se as conhecidas Repúblicas do Baco e das Marias do Loureiro
A alta de Coimbra é um importante centro histórico e artístico de que, muitos de nós, não damos conta, apesar de vivermos na cidade
Mais uma das ruas "cheias" de história coimbrã
Antes da visita começar e enquanto o grupo se juntava, dei um saltinho à esplanada do Museu Machado de Castro donde se tem uma bonita vista da cidade
Outra perspectiva
E outra ainda ..
Ao fundo, o largo de São Salvador, sendo ainda possível ver
a parte mais alta da igreja
A taberna típica onde mais tarde o grupo iria "petiscar"
E um grupo de estudantes universitários, dando crédito à vida boémia que lhes atribuímos ... está a chegar a altura da Queima das Fitas ,...
E o grupo já reunido no exterior, ouvindo da Drª Branca algumas considerações sobre o monumento que iríamos visitar
Das colunas originais, já resta muito pouco, pois a igreja foi remodelada no sec XVI e XVIII, sendo profundamente alterada.
Daí os seus estilos se confundirem de acordo com as épocas de intervenção: românico, medieval, renascentista, manuelino, barroco, ...
A Drª Branca "contando a história" do monumento aos visitantes
A igreja tem 3 naves e duas capelas laterais laterais introduzidas no sec XVI, no caso a capela de S. Jerónimo.
Nesta capela, da família de D. Guiomar, que se crê ter sido importante em Coimbra e uma generosa benemérita desta igreja, destaca-se o retábulo em talha dourada, profusamente decorado.
Curiosamente, esta igreja tinha claustro e estava inicialmente dividida na sua nave central para que os cristãos pudessem assistir aos actos religiosos juntamente com os frades, embora separados por uma grade.
Mais uma perspectiva da capela de S. Jerónimo, com a parede ricamente decorada com azulejos e o tecto, em abóbodas pintadas
Este turista bem-parecido sou eu !!!! ... na capela de S. Jerónimo, tendo em fundo o túmulo da familia de D. Guiomar
Os azulejos contam a história do Salvador .. o o seu nascimento, percurso de vida, morte e ressurreição.
Esta a capela de São Marcos, onde estão sepultados os mais importantes representantes da família Barros, em pedra-de-ançã, material muito usado nos monumentos desta região do país, pela sua abundância e facilidade de esculpir
Os túmulos no chão da capela
Mais um pormenor dos azulejos
Depois da visita à Igreja de S. Salvador, seguiu-se uma pequena ronda pela rua com o mesmo nome. Nesta casa viveu Augusto Louro, conhecido guitarrista de Coimbra.
No nº 14 da mesma rua, viveu Eça de Queiroz, para onde se mudou depois de ter vivido num quarto alugado numa casa dum lente da Universidade. Eça, não se sentindo muito à-vontade vivendo na casa dum professor, preferiu uns aposentos mais austeros mas sem os seus movimentos estarem vigiados pelo académico.
Isso mesmo consta da sua biografia que podem consultar Aqui
A Real República do Bota-Abaixo na Rua do Salvador
Grafittis com originalidade e que não "chocam" a visão dos turistas e residentes
E o grupo continuou a visita regressando ao Largo de S. Salvador
Para quem não sabe, uma das particularidades das repúblicas é a realização de espectáculos, sessões de cinema e outras realizações "artísticas" ... aqui o exemplo da Republica Os Kágados, publicitando um concerto.
Bom, e foi assim a visita ... já espero pela próxima... há ainda tantas coisas de Coimbra que não conheço ...
Todas as fotos Aqui
quinta-feira, 21 de março de 2013
VISITAR COIMBRA - O PANTEÃO NACIONAL
Pois bem ... mais uma visita cultural, ontem efectuada, desta vez ao Panteão Nacional que a maioria apenas conhece por Igreja de Santa Cruz.
É, desde 2003, Panteão Nacional por albergar os túmulos dos dois primeiros reis de Portugal, Afonso Henriques e seu filho Sancho I, e foi decretado que apenas o será para eles ... embora suas esposas estejam com eles sepultados, Mafalda de Sabóia e Dulce de Barcelona respectivamente... portan to, diferente do Panteão Nacional de Lisboa, na Igreja de Santa Engrácia, que continua "aberto" a novos ocupantes.
A entrada Manuelina da Igreja de Santa Cruz
A foto da praxe para comprovar aos mais desconfiados que,
de facto, estive mesmo lá
O famoso Café de Santa Cruz, outrora o Mosteiro de São João das Donas, exclusivamente feminino, contíguo ao Mosteiro dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho (Igreja de Santa Cruz), este exclusivamente masculino.
Dizem alguns "historiadores" que a razão desta proximidade se devia à "troca de receitas de doces" ... eu prefiro acreditar que talvez porque os monges fossem mais instruídos pudessem colaborar na gestão do convento feminino ...
Parte do grupo que iria iniciar a visita
Vista da nave central da Igreja de Santa Cruz
Alguns autores apontam 1131 como data para a sua fundação embora outros defendam que, a sua construção demorou quase 100 anos até 1211, data em que foi sacralizada como templo cristão.
É provável que assim tivesse sido pois os reis, à época, orientavam os seus esforços para a expansão do território.
D. Afonso Henriques passou a maior parte da sua vida ali e talvez essa seja a razão mais forte que justifique a sua inusitada longevidade. Não há certezas do local do seu nascimento, Guimarães, Viseu ou mesmo Coimbra, mas o local do seu falecimento e vida é, sem dúvidas, Coimbra.
Viveu 75 anos e reinou durante 51 anos,!!!... notável para uma época em que a esperança média de vida se situava em pouco mais de 40 anos.
Existia no mesmo local uma pequena igreja, ocupada por um reduzido número de monges e conta uma lenda que D. Telo, o seu superior e mais tarde Arcebispo de Braga, montava um cavalo com uma albarda (sela) de corte e modelo pouco vistos. Tratava-se duma sela que ele tinha trazido de Montpellier, importante centro cultural da Europa à epoca. D. Afonso ter-lhe-à pedido a sela ao que D. Telo anuiu em troca da oferta de terrenos em volta da igreja que lhe permitissem construir uma obra maior e mais digna da ordem religiosa.
A ordem religiosa que se manteve no mosteiro, como já referi, era os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Tratava-se duma ordem bastante culta, dedicada à cópia de documentos e leis e com forte influência na política de então.
A Dra Cristina Leal, do Dep. Cultura da Câmara de Coimbra,
que nos guiou pela história do monumento
O monumento revela várias fases construtivas. Nesta foto é visível um arco "meia-cana", da construção medieval original e que subsistiu após a grande intervenção Manuelina começada em 1502
Embelezam as suas paredes vários painéis de azulejos do sec XVIII, oriundos duma escola de Lisboa de que não se tem a certeza de qual, e que foram adquiridos com o resultado de peditórios à população.
Abóbada Manuelina com os característicos medalhões e referências marítimas, cordas, conchas, esfera armilar
Os painéis, na versão dos seus autores, contam uma história de conversão ao Cristianismo e estão carregados de simbolismo. A paixão, a redenção, a cura pela Fé,... são elementos bem presentes
A Pia Baptismal Manuelina. Trata-se duma obra lindíssima pelo trabalhado da "pedra-de-ançã"
A "Pedra-de-Ançã", tão presente no estilo Manuelino pela sua baixa resistência ao molde e ao talhe, de invulgar beleza branca calcária, acaba por se tornar um problema pela erosão a que está mais sujeita também. Tivemos oportunidade de observar algumas peças em que o desgaste provocado pelo ar relativamente húmido, fará com que, daqui a alguns anos, estejam destruídas ...
O órgão da Igreja, estilo Barroco, que ainda se encontra em condições de tocar o que, lamentavelmente, faz em muito poucas ocasiões.
Contemporâneo com o de Mafra, perde para este em tamanho e opulência.
O riquíssimo púlpito, obra do Mestre Nicolau de Chanterenne, mestre francês que desenvolveu grande parte da sua obra em Portugal. Algumas das mais importantes podem ver-se na Sé Velha também em Coimbra, no Mosteiro de Alcobaça, ... defendem alguns que foi ele a introduzir o Renascentismo em Portugal. Também da sua autoria são os túmulos dos reis aqui sepultados
Uma das capelas laterais, dedicada a Santo António, que aqui estudou e viveu, tendo nascido em Lisboa em 1195.
Fernando Martins de Bulhões (Santo António de Lisboa), Luis de Camões, D. Pedro Cristo, Carlos Seixas, ... são alguns dos mais proeminentes vultos, de diferentes épocas claro, que aqui viveram e estudaram.
Uma perspectiva da abóbada da nave central, de intervenção Manuelina. Ao cimo, vê-se parte do coro alto, infelizmente não visitável por estar a ser intervencionado. É possível ver-se o posto do "regente/maestro" e foi possível observar, do altar, que estão lá peças de talha dourada que aguçaram o apetite para uma próxima possível visita.
Uma foto do Santo Expedito ... pelo que pude ouvir da explicação, trata-se dum santo sem características de cura especiais, sendo antes um generalista, qual médico de clínica-geral ... é a este que me vou devotar tantos os problemas e chatices de vária ordem que me afligem ... quem sabe se o prof. Bambo e outros congéneres não são reminiscências deste santo?
Esta imagem ladeia um retábulo vazio mas que, em tempos, albergou uma Pietá. Essa imagem foi para restaurar para os especialistas do Museu Machado de Castro e por lá ficou ... resta o altar vazio da capela lateral.
Uma outra perspectiva do Coro Alto, estando em primeiro plano o púlpito de Nicolau de Chanterenne. O Coro Alto está por cima duma das 3 naves centrais da igreja: a que se vê na imagem, a central, mais alta e a do altar-mor onde se encontram os túmulos.
Ao lado esquerdo e antes da nave do altar-mor, encontram-se duas imagens em retábulos Manuelinos, da mesma escola de Chanterenne.
O túmulo de D. Sancho I, segundo Rei de Portugal e cognominado O Povoador, a quem se deve a estabilização das fronteiras do reino e que são praticamente as hoje existentes.
Mais uma prova da minha presença ...
Neste painel de azulejos, uma curiosa representação da recusa em entrar no Mosteiro a Santa Helena. Creio que s etrata de Santo Agostinho a apontar para a imagem da Virgem como que dizendo que apenas ela poderia entrar naquele templo masculino
O Túmulo de D. Afonso Henriques, maior e com mais cuidada decoração
O túmulo de Sancho I, quarto filho de Afonso Henriques. De seu nome Martinho por ter nascido no dia daquele santo, tornou-se rei pela morte de seu irmão aos 3 anos de idade. Este facto, levou à alteração onomástica para um nome mais de acordo com a tradição hispânica ficando, desde então, Sancho Afonso.
Após um acidente de seu pai, foi armado cavaleiro em 1170, aos 17 anos, e tornou-se o braço direito de seu pai militar e administrativamente. Considerado um rei muito esclarecido e informado, a ele se deve a conquista do território que hoje conhecemos.
Expulsou definitivamente os mouros numa batalha perto de Sevilha, junto ao Rio Guadalquivir e confirmou a paz com os reinos vizinhos de Leão, Aragão e Castela ao casar-se com D. Dulce Berenguer, irmã de Afonso II de Aragão.
Parte do grupo a ouvir as explicações da Dra Cristina Leal, excelente conhecedora de tudo o que se refere a este monumento com um dos túmulos em fundo.
Outra perspectiva do túmulo de Afonso Henriques
O altar-mor da Igreja de Santa Cruz. Pode estranhar-se o "vazio" do seu topo mas, como foi explicado, no lugar cimeiro deve encontar-se o Rei, o Soberano, o ser superior ... aos aolhos dos cristãos, este ser é Deus que está no sacrário, bem em baixo e aqui na foto mais iluminado ... logo, nada mais acima dele.
Em resumo: uma bela tarde passada em Coimbra, nesta visita de cerca de duas horas, em agradável companhia da simpática e competente guia bem como do restante grupo.
Fiquei muito contente por ver a baixa com muitos turistas ... pena o ar abandonado de algumas ruas e edifícios, com as lojas outrora fervilhando de actividade e, agora, fechadas.
Todas as fotos AQUI
Em resumo: uma bela tarde passada em Coimbra, nesta visita de cerca de duas horas, em agradável companhia da simpática e competente guia bem como do restante grupo.
Fiquei muito contente por ver a baixa com muitos turistas ... pena o ar abandonado de algumas ruas e edifícios, com as lojas outrora fervilhando de actividade e, agora, fechadas.
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