Mostrar mensagens com a etiqueta Lena. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lena. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

ELAS NÃO MATAM MAS ...



Mais um momento de tristeza por que passo ...

Começo a encarar a morte como uma inevitabilidade que, a seguir àquela curva ou ao dobrar da próxima esquina, se nos depara, com maior ou menor surpresa...

Hoje foi a vez do Zé Augusto, pai da minha falecida esposa.

Também ele vítima dum cancro que deu os primeiros sinais há cerca de 8 anos quando foi operado à próstata ... o falecimento da sua única filha, estou certo, foi a pedra de toque que despertou aquelas células adormecidas e que o fizeram agora tombar.

Como foi seu desejo, as suas cinzas serão depostas junto ás de sua filha ... que descanse em paz e que eu também, agora, possa descansar um pouco.




quarta-feira, 2 de julho de 2014

VALEU A PENA



Recebi este mail da Administração dos CHUC a quem tinha escrito elogiando os serviços com quem, de perto contactei, ao acompanhar a doença da Lena.

Trata-se da resposta a este que enviei:

Caros Senhores:

Minha esposa, Helena Pimentel, faleceu no passado dia 10 de Junho, vítima de doença pulmonar, no internamento de Pneumologia dos Hospital dos Covões.

Desde o diagnóstico da doença, em Agosto de 2013, foi seguida e tratada no hospital de dia de quimioterapia, acompanhada pelo Dr. Fernando Barata e pela Dra Ana Figueiredo.

Sempre a acompanhei nos tratamentos, exames e consultas e pude, por isso,  observar com alguma distância e a possível isenção, o "ambiente hospitalar" que nos rodeava.

Fui tomando consciência que, afinal, nem tudo o que nos é impingido pela comunicação social deve ser tomado a sério e refiro-me, concretamente, ao tão acirrado ataque aos funcionários do estado, a quem encontram culpas pelos desmandos dos políticos.

Julgo também ter percebido as dificuldades em recursos humanos e de meios ao dispor para que o serviço prestado atinja o grau de excelência tão acenado como meta.

Apesar deste quadro desfavorável, os profissionais de saúde com quem lidámos mais de perto (Hospital de Dia e Internamento Pneumologia) foram capazes de disfarçar as carências com uma enorme dedicação e sentido de dever que aqui pretendo exaltar e prestar o merecido tributo.

Esta minha (nossa) homenagem a estes profissionais tem como finalidade reconhecer-lhe o mérito de exercerem  o seu "métier" em condições difíceis mas que conseguem ultrapassar dando aos doentes o melhor de si.

Em todos os momentos, a minha esposa pôde ter o melhor de todos os profissionais de saúde envolvidos e que desvalorizaram as dificuldades da própria logística e da permanente desconsideração que os responsáveis, políticos ou outros, lhes concedem.

Conseguiram sempre desempenhar as suas funções a um nível superior ao do simples raciocínio económico e financeiro que, infelizmente, agora norteia a maior parte das modernas gestões.

Por isso, e por não ter conhecimento que, tal como existe um Livro de Reclamações, um Livro de Elogios, faço-o por este meio por entender que é, além de inteiramente justo, considerar também que deve ser do vosso conhecimento.

Sem outro assunto, apresento os meus melhores cumprimentos.
João Rui Pimentel







sábado, 28 de junho de 2014

quarta-feira, 25 de junho de 2014

PAIXÃO E AMOR




Faz duas semanas que faleceu a Lena.

Este tempo que decorreu,  permitiu colocar algumas (poucas) ideias em ordem, tratar de outras tantas burocracias e tentar adaptar-me ao novo ritmo de vida.

O estar só,  depois dos “miúdos” se terem ido deitar ou ainda a não terem regressado da “noite” começa a parecer-me normal …

O “tratar da cozinha” é apenas a continuação das rotinas já existentes …

A principal novidade em termos domésticos foi a difícil prova (felizmente superada) das compras dos produtos de limpeza no hipermercado …
Se era a mim que cabia já essa tarefa e o fazia de “olhos fechados”, deparei com o problema da escolha dos produtos de limpeza … até aqui tudo era simplificado com umas notas num papel, na sua letra bonita: “pastilhas Sun 3 em 1; Skip “não-sei-quê”; sal para a máquina de lavar louça; CIF; “lava tudo com”;…

Ainda dizem que as mulheres não fazem falta …

Pois bem, este tempo da sua ausência, tem-me proporcionado uma reflexão sobre coisas que nos acontecem na vida.

Dei comigo a pensar no significado das palavras PAIXÃO e AMOR e fui fazer uma pequena pesquisa.

A definição mais comum para PAIXÃO é um sentimento muito forte, em relação a uma pessoa, objecto ou tema … é uma emoção intensa, um entusiasmo ou um desejo sobre qualquer coisa.

Por outro lado, AMOR, é o grau de responsabilidade, utilidade e prazer com que lidamos com as coisas e pessoas que conhecemos.

…. É, pelo menos, o que vem na Wikipédia.

Cá para mim, que não estudei até tão longe, PAIXÃO é um estado de parvoeira que cega, ensurdece e nos deixa insensíveis à realidade. Fica-se “parvo” com um objecto ou pessoa de tal forma que se perde a noção do que nos rodeia. É um estado catatónico por excelência.

O AMOR, esse é mais sublime e purificado …
Está no topo dos sentimentos humanos, bem acima da PAIXÃO, do GOSTAR, do RESPEITAR, do QUERER, do DESEJAR, da AFEIÇÃO, da COMPAIXÃO, …
O conjunto de todos estes sentimentos, ligados a outra pessoa  por um inquebrável vínculo emocional, qual fibra óptica de alta velocidade, capaz de levar e receber os estímulos que estes sentimentos geram …. é que é o AMOR.

É, estou certo, a maior de todas as conquistas do ser humano,… esta capacidade de se relacionar com outrém neste grau de partilha ao nível do mais alto céu.

Para além destes sentimentos, alimentam ainda o AMOR outros comportamentos como os objectivos e expectativas comuns, os desafios e os desejos, o “bem-querer” aos filhos, o assumido e partilhado respeito pelos ascendentes deixando-lhes “exemplo” de amor pelas gerações e sentido de família …
Não podiam igualmente deixar de fazer parte da “receita” do AMOR o carácter e os princípios, pilares dos nossos comportamentos e pontos cardeais da nossa posição em relação ao mundo.

Nesta perspectiva, posso com toda a segurança afirmar, que sou uma pessoa a quem foi dado muito AMOR e, por isso, fui um privilegiado e me sinto feliz.

Obrigado Lena

sábado, 14 de junho de 2014

CHUC COVÕES HOTEL & SPA (PARTE II)


Há dias publiquei uma pequena reflexão sobre o Hospital dos Covões (CHUC COVÕES) escrevendo que, nalguns locais, não deveria apenas existir Livro de Reclamações mas também um livro de Elogios.

As reclamações, como a maioria de nós sabe, são fruto dum estado de insatisfação que, com razão ou sem ela, revelam o desagrado dos seus autores e que no “livro amarelo” a expõem.

Os elogios, esses, não são assim tão fáceis de declarar … as pessoas sentem-se satisfeitas e pronto ! ...  achamos que o elogio é desnecessário pois admitimos, interior e inconscientemente, que é obrigação das pessoas fazerem o que fazem e, se o fizeram bem … é para isso que “lá estão”.

Trabalhei numa grande empresa em que os cêntimos eram, literalmente, contados, e o dia-a-dia se fazia com gráficos e tabelas, taxas e índices, produtividade e médias, …
Talvez se justificasse que assim fosse pois as empresas da área financeira são muito sensíveis a todas essas variáveis e o seu dia-a-dia é preenchido com a sua elaboração e análise.

No entanto, noutras empresas/instituições, essas variáveis alcançam uma exagerada importância que não deveriam ter, pois o seu “objecto social” não é uma qualquer actividade lucrativa como, no exemplo que aqui trago, os hospitais e outras unidades de saúde.

No Hospital dos Covões, onde tenho passado muitos dias destes últimos meses, procurando acompanhar a minha esposa na sua doença, não pude deixar de constatar o esforço que os seus profissionais fazem para contornar as dificuldades orçamentais.

Se o consumo de gaze está acima da média, o número de dias de internamento do doente X está a ultrapassar todos os limites estatísticos, os litros de soro disponíveis em stock não estão em mínimo como dizem os bons manuais de economia … estas minudências não deveriam fazer parte das preocupações dos profissionais de saúde.

Por isso, tem acrescido mérito a resiliência e perseverança com que enfrentam o seu dia-a-dia.

Se por um lado, têm que “contar os tostões” e racionar os comprimidos, por outro, têm que garantir condições de conforto e dispensar aos doentes o melhor que a “ciência dos homens” produz.

O profissionalismo da sua grande maioria, vai muito para além das técnicas que aprenderam nas escolas de saúde, do “picar” sem dor, de encontrar uma veia boa para dar um injectável, de prescrever ou determinar terapêuticas … e eu tive o privilégio de perceber e sentir isso durante os momentos do seu internamento.

Há uma dimensão humana que consegue estar a um nível superior de todas estas dificuldades e que acrescenta ao seu profissionalismo técnico uma componente de sentimentos que não se mede em “números”. Só quem vive e sente “isto”, consegue perceber que, realmente, o cinzentismo dos algarismos não pode nunca ser a primeira variável de análise e, até, de classificação e composição de rankings.

Trata-se aqui da exaltação da capacidade dos profissionais de saúde em manter o seu comportamento profissional acima das “mesquinhices” dos euros.

Infelizmente, os conhecimentos e as técnicas do Homem não foram suficientes para que a minha esposa conseguisse sobreviver mas, enquanto o conseguiu, teve o carinho e conforto que lhe foi proporcionado por todos eles, minimizando o inevitável.

Quer no hospital de dia de quimioterapia, das urgências, … até ao internamento, foi sempre acolhida com carinho e incontáveis “mimos”.

Dizer apenas OBRIGADO a todos eles é manifestamente insuficiente … mas não encontro outra palavra que tão bem expresse e que contenha todo o meu apreço e gratidão por serem tão “profissionais”.

Ficarão para sempre guardados no cantinho do meu coração reservado para as pessoas de bem.

OBRIGADO



quinta-feira, 12 de junho de 2014

VOLTAR

Boa noite a todos os meus amigos e amigas:

Pela quantidade de vezes que aqui trago Rodrigo Leão, já perceberam que sou fã deste músico duma qualidade impressionante.

Sempre que posso, "mato" todos os espectáculos em que se desloca até Coimbra e Figueira da Foz.

Para terminar o ciclo de músicas em que pretendo homenagear a Lena, publico aqui uma das canções que mais me causa melancolia e sensibiliza, "Voltar", na voz de Ana Vieira.

Espero que gostem, independentemente do contexto.





quarta-feira, 11 de junho de 2014

O QUE SANTO AGOSTINHO PENSA DA MORTE


Olá a todos os meus amigos:

Pessoa que estimo, fez-me chegar este pensamento de Santo Agostinho sobre a morte.

É uma forma arejada, prática e bem racional, de encarar o falecimento de alguém querido e que passo a transcrever:

A morte não é nada
Apenas passei ao outro mundo
Eu sou eu. Tu és tu
O que fomos um para o outro ainda o somos
Dá-me o nome que sempre me deste
Fala-me como sempre me falaste
Não mudes o tom a triste ou solene
Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos
Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo
Que o meu nome se pronuncie em casa como sempre se pronunciou
Sem nenhum ênfase, sem rosto de sombra
A vida continua significando o que sempre significou
Continua sendo o que era
O cordão da união não se quebrou
Porque estaria eu fora dos teus pensamentos?
Apenas porque estou fora da tua vista?
Não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho.
Já verás, tudo está bem
Redescobrirás o meu coração e nele redescobrirás a ternura mais pura
Seca as tuas lágrimas e, se me amas, não chores mais.





terça-feira, 10 de junho de 2014

DIA DIFÍCIL



Hoje, cerca das 11:50, a Lena faleceu no Hospital dos Covões em Coimbra.

Como era seu desejo, deixou-nos comigo de mão dada, a seu lado, como foi, afinal, a nossa vida.

Boa companheira, óptima mãe e uma excelente filha, deixou-me e a seus filhos um luminoso exemplo  de como um ser humano pode passar por esta vida deixando uma indelével marca que, sendo invisível, fica bem presente em todos quantos a conheceram.

A dignidade com que pautou a sua vida, acompanhou-a na morte, enfrentando-a com serenidade e em paz.

Obrigado a todos os quantos nos acompanharam nestes 10 meses de luta contra a doença, solidarizando-se e dizendo "presente" sempre que necessitámos.

O funeral realizar-se-à amanhã, dia 11 de Junho, pelas 16:30, na Igreja de Figueiró do Campo, localidade onde, efectivamente, ganhou o direito a pertencer após cerca de 30 anos como acarinhada farmacêutica da população.