Este é um espaço que pretende ser ... não sei bem o quê....do que me apetecer simplesmente... disparates e outras parvas reflexões!!!
O autor deste blogue reserva-se no direito de amandar umas calinadas ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1900 e trócopasso ... e não aderiu a esta modernice da treta do novo acordo ...
Comunico-vos que o meu blogue vai encerrar 10 dias para descanso do pessoal e inadiáveis reparações na cozinha e armazém ... exigências da última inspecção da ASAE.
Por isso, eu vou aproveitar também para arejar e procurar novas ideias por essa Europa ... quem sabe se, no regresso, terei comigo a solução para impulsionar este enrascado país?
Não estranhem, portanto, a ausência de notícias de 1 a 10 de Junho.
Se tiverem muitas mas meeeeeesmo muitas saudades minhas ... podem encontrar-me por aqui num destes lugares... se estiver com a moto parada.
Como habitualmente, e para os mais curiosos, farei depois a crónica da viagem acompanhada das fotos possíveis ... entretanto e até dia 1 de Junho , podem ainda ir vendo as "últimas" aqui.
"Nunca andes pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros já foram"
Á esq, o João David, melhor amigo e colega do meu filho com este ao seu lado
Olá a todos:
Neste sábado realizou-se no CAIC, escola de Cernache que os meus filhos frequentam, o Baile de Gala dos finalistas 12º ano 2011-2012.
Tratou-se dum acontecimento que deixa os pais muito orgulhosos dos seus filhos e que nos leva a todos a pensar "como estão uns homens/umas senhoras".
É inevitável alguma emoção naquela noite em que sentimos que os nossos filhos acabam uma etapa academica e começam outra ... mas há como que um sentimento de perda pois é como que o "voo a solo" se tenha iniciado. Tornaram-se todos, de facto, em adultos e não são mais os nossos meninos/as.
O João e a Filipa
Vê-los assim vestidos de forma cerimonial sem que para isso tenha que ter havido ralhetes e discussões pois foi o seu desejo e iniciativa, faz-nos, pelo menos a mim, ter já algumas saudades do "miúdo" ...
João Nuno, João Cruz, Marisa e João David para além de colegas de disciplinas, companheiros no voleibol
O jantar foi servido e confeccionado no refeitório da escola pelos alunos do curso de hotelaria e cozinha a quem dou os parabéns pela comida e serviço, seguindo-se o Baile no salão de festas.
Cuidadosa e habilmente decorado por algumas "prof's" o salão estava elegante com mesas redondas, iluminadas por candelabros onde ardiam velas que acrescentavam um ar romântico á festa.
Aspecto duma das mesas
A entrada dos "pares ...
Os finalistas apresentaram diversas "trabalhos" que tinham preparado para a festa, nomeadamente umas apresentações sobre os seus professores e sobre cada um dos colegas a quem foram chamando ao palco para lhes "encomendar" uma tarefa surpresa de acordo com as suas características, medos, tiques, preferências, hábitos, ...
No baile
Muitos dos professores e funcionários do colégio associaram-se à festa e participaram activamente na sua preparação e realização, dos quais destaco as Directoras das duas turmas em final de curso, Maria João e Cristina Craveiro.
Figuras conhecidas na escola pela sua competência pedagógica e empenho neste tipo de actividades, não defraudaram os seus créditos e estiveram sempre muito presentes e activas.
Creio poder afirmar que, também elas recordarão esta "geração" de alunos que, estou certo, deixaram uma particular marca de qualidade no colégio.
No hall de entrada para o salão de festas.
Tenho afirmado, publicamente e em privado na minha roda de amigos que sinto um carinho especial por esta escola ... acho que os professores preocupam-se de verdade com os alunos ... a escola proporciona um crescimento para além do meramente academico e que dá aos alunos uma dimensão humana e valores que, penso não estarem presentes em muitas outras ... para além disso, no caso dos meus filhos, tem-lhes proporcionado a prática de desportos cujo sucesso contribuiu, estou certo, para a sua formação enquanto pessoas.
A minha filha Joana com o Luís, colega do volei
Quando se questionam as regras de financiamento destas escolas, só a avaliação isenta e rigorosa caso-a-caso é que poderá determinar quais as que têm qualidade para continuarem a fazer parte da rede escolar publica e esta é, indubitavelmente, uma delas.
Aqui uma palavra de esperança e, sobretudo, confiança no futuro. A qualidade é "como o algodão, não engana" e revelar-se-à sempre mesmo em momentos difíceis e nestes, torna-se um critério de decisão importante.
Este acompanhamento especial que a escola faz aos seus alunos só tem resultados porque todos os seus colaboradores nisso manifestam empenho e disponibilidade e fazem da docência mais do que "um emprego".
Alguns dos colegas
Creio ter sido o "último acto oficial" dos meus filhos enquanto alunos do CAIC - COLÉGIO DA IMACULADA CONCEIÇÃO, pelo que fica aqui um sincero e genuíno, OBRIGADO.
Fica um pequeno vídeo com as fotos aqui e o albúm completo aqui se desejarem "piratear" alguma foto.
Há já algum tempo que queríamos (eu e os meus filhos João e Joana) dar de prenda à minha esposa, um novo gato. Ela gosta de gatos e achámos que o Kiko, que embora tivesse já cerca de 4 anos e que já tinha vindo de Condeixa connosco, também se sentia muito só e sem companhia para brincar.
Tal como o Kiko, também fomos “comprar” o Tommy a uma loja de animais em segunda mão … que é o mesmo que dizer uma associação de protecção animal.
Nesta caso, a aquisição foi na Ajudanimal de Pombal nos primeiros dias de Dezembro de 2010 na “feira” que esta associação promove quinzenalmente aos sábados.
O Tommy era um pequeno e tímido siamês, de que recordo os enormes olhos azuis que sobressaíam da manta onde estava embrulhado.
Erao único gato-bébe que estava para “venda” e, portanto, a única opção …
Que havíamos de fazer?... parecia saudável e com aspecto meigo capaz de saber agradecer com uns “ronr-ron”a quem os ia acolher … trouxémo-lo para casa sem saber nos que nos íamos meter.
O Kiko também foi foi “adquirido” na Ajudanimal mas de Coimbra, creio que em 2006 … estava num apartamento com outros 14 ou 15 gatos, uns pequenos e outros já adultos … e estava doente. Era um pequeno e escanzelado gato cinzento tigrado comum e a tinha fez com que a sua bonita pele cinzenta tivesse simplesmente desaparecido de partes significativas do seu corpo.
Levámo-lo para casa e, em pouco tempo, recuperou peso e o brilho do seu pelo. É hoje um “gatarrão” bem constituído, cioso do seu espaço e … podia ser mais meigo.
Se está sentado no sofá e um de nós se quer sentar também, logo desaparece e vai “pregar para outra freguesia”. Se o queremos ter ao colo para o acariciar, “espreme-se” todo para escorregar por nós abaixo e escapa-se …
Creio que foi esta falta de meiguice que nos fez ir à procura de outro gato. Sempre tive gatos em casa de meus pais e alguns tornavam-se chatos mesmo … se nos sentávamos logo iam a correr sentar-se nas nossas pernas … roçavam-se em nós e tínhamos mesmo que os espantar …. Chatos !!!!
O Kiko não é assim. Anda por perto de casa, caça bicharada variada, desde ratos, pássaros, cobras, pequenas lagartixas, … mesmo um pequeno coelho bravo que teve a infeliz ideia de ir ”pastar” para o meu relvado, nunca mais foi visto… mas não é “dado” e meigo e raramente ronrona quando acariciado.
O Tommy é um oferecido !!!!
Põe-se a jeito para receber umas festinhas e logo salta para cima de nós quando nos vê alapados no sofá … muito brincalhão chega mesmo a ser chato para o Kiko e não raras as vezes este lhe dá umas valentes sopradelas sinal de arreliado e aborrecido com os “convites” para a brincadeira.
Os cortinados e as costas dos sofás são os “parques-de-lazer” preferidos … o que eu já ouvi por causa disso… raios partam os gatos … o Kiko não estragava nada e agora com a ajuda deste é o que se vê… nunca deu chatices nem que me lembre esteve doente. Tivémos sorte pois uma aquisição em 2ª mão é sempre um tiro no escuro e a única coisa de que me lembro que o veterinário disse é que tinha tártaro nos dentes. “Deve comprar uma escova especial e pasta para lhe lavar os dentes” disse o clínico com ar de que isso fosse uma coisa relativamente simples de concretizar …. Fosga-se !!! .. quando agarrei o Kiko e lhe abri a boca para lhe esfregar a pasta nos dentes e a seguir escovar …. Soprou parecia uma víbora africana !!!!! … que se dane o tártaro do gato … ele que se escove sozinho ….
Com o Tommy as coisas já não foram bem assim … para além de estragar coisas em casa, faz tropelias que nem vos passa pela cabeça e volta e meia apanha umas porradas e fica doente.
Há meses foram os olhos … uma esquisita membrana tapava-lhe os olhos e não o deixava ver … gotas e mais gotas … o que vale é que ele é um doente muito paciente, deixa fazer tudo o que é preciso para ficar melhor... a minha mulher andou zangada comigo dois dias porque sugeri: "olha, liga prá Saúde 24".
Há dias andava manco e tinha dores ... quase não se punha em pé …. Reumatismo disse eu acompanhando com um sorriso perante os olhares da minha família donde logo saíram faíscas mortais de recriminação … gaita !!! ... gostam mais do gato que de mim …
Tentei compor o ambiente com “bem… talvez tenha sido atropelado ou levasse uma porrada …” … já era tarde … o melhor que me descreveram foi “insensívele desumano” ….
Voltando ao tema … este desgraçado faz de tudo para morrer e ainda não tive essa sorte.
Na Figueira da Foz, para onde o levámos de férias, tentou o suicídio atirando-se da varanda para a rua … para além do focinho “escalabardado” a única coisa que ganhou foi a amizade duns gatos vadios com quem conviveu durante dois dias em que não lhe pusemos a vista em cima.
Porque eu e minha esposa estávamos a trabalhar, os meus filhos acharam bem chamar os bombeiros ao avistá-lo em cima dum telhado com os seu novos amigos.
Coitado do bombeiro … põe escada, tira escada, … ao ritmo em que o Tommy mudava de telha e se afastava cada vez que o “soldado da paz” se aproximava … desistiram e foram embora, atitude sensata que aprovei quando mo contaram.
Convenceram-me depois do jantar que talvez se eu o chamasse ele reconhecesse a voz e …bem, ainda hoje me arrependo porque concordei com esta ideia …
Eram cerca das 23:00 e eu no bairro a gritar “Tommy … Tommy” … qual Tommy qual carapuça !!! .. a única coisa que me era respondida foi-o pelas pessoas que assomavam às janelas e varandas e, os mais simpáticos, limitavam-se a uns “sccchiuuuuuuu … cala-te ó parvalhão” ….
Que vida a minha ….
Já ao final do dia seguinte, da varanda de casa, pensei tê-lo avistado em alegre convívio com a gataria vadia que ele já considerava da família … só que eram 3 siamesese o raio destes gatos são todos iguais … tinha a certeza que um deles era o Tommy mas … chamei, chamei, …. Nada !!!
Disse a minha esposa o que se passava e logo ela, diligentemente, providenciou uma pequena lata com a ração preferida do raio do gato … “Tommy … Tommy … bicho… bicho … olha a papa … papa” … enquanto se aproximava do arraial de gatos.
Conseguiu aproximar-se o suficiente para o agarrar mas ele, assustado, arranhou-a e deu de frosques … eheheheheh …. Se calhar nem era ele … Momento que saboreei com particular agrado e que soube a pequena compensação pelo vexame da noite anterior … ainda hoje há vizinhos que quando passam por mim creio que dizem baixinho “Tommy … Tommy” … grhgrhgrhgrh …
Bem... em resumo … consegui agarrá-lo ao fim de várias horas de avanços e recuos e voltou ao seio familiar para felicidade da malta toda lá de casa ... eu incluído embora não o quisesse demonstrar abertamente.
Um outro episódio foi a “Subida ao Poste” … que paciência meu Deus !!!
Todas as noites, antes de nos deitarmos e se os gatos não estiverem por casa, ou a Lena ou os meus filhos vão ao jardim chamá-los.
Quase sempre aparecem pois estão habituados a dormir no aconchego do sofá, duma manta, dum tapete, … o pior é quando não dão sinal de vida !!!
Se eu não aparecer em casa á noite ninguém me procura …. Posso ter ficado com o carro avariado, posso ter sido acometido dum inesperado “chilique”, posso ter até caído ao rio … ninguém se importa … agora se falta um gato !!!! … alto aí … já não há sossego !!!!!
Foi o que aconteceu naquela escura e fria noite … o Tommy não aparecia mas ouvia-se miar ao longe.
Que diabo ... o bicho está preso nalgum lugar pensei eu. E dirigi-me ao sítio donde vinha o som que era ao pé dum enorme camião e esperava poder encontra-lo dentro da caixa de carga, sem poder sair … nada !!!!... não estava lá mas o seu miar mantinha-se e era já bem perto.
Espreitei para debaixo e para dentro do contentor do lixo, andei por dentro duns marmeleiros, agachei-me para uns buracos na valeta da estrada … não o via mas o seu miar de aflição mantinha-se bem presente … olhei para cima e estava bem lá no alto do poste dos telefones … “estúpido de gato, como foste aí parar?” …. “Miau … miau ... miau … “ respondia ele.
O Tommy em cima do poste
A minha esposa aflita dizia já que o gato iria ali morrer de frio naquela noite … “levo-lhe lá um cobertor” … uiiii… o que eu fui dizer!!!!! … o meu sorriso só a fez “atirar-se a mim” e pior ficou quando lhe disse que “com uma calhoada certeira ele vai já descer” …. Aí estraguei tudo e o divórcio só não aconteceu porque a Loja do Cidadão já estava encerrada … !!!
Entretanto aparecem os meus filhos que ficaram em pânico (mais do que o gato) quando propus como solução cortar o poste com um moto-serra já depois de primeiro ter aventado a possibilidade de ir buscar uma espingarda e mandar um tiro para bem próximo do bicho, de forma a assusta-lo e fazê-lo atirar-se dali abaixo …
Toda a gente me ralhou e acabei por os convencer dizendo que tinha conhecimento de vários gatos que subiam e desciam a postes de telefones como quem bebia um copo de àgua e que, pela manhã, o gato já estaria à porta à espera do pequeno-almoço, blá blá blá … ufa !!! … eu mesmo não acreditei muito mas, de manhã, sempre poderia estudar uma melhor solução de o “deitar abaixo” quando eles estivessem para a escola …. Acabaram por aceitar que isso talvez fosse acontecer de verdade e reforcei a minha convicção quando antes de me deitar, passei pelo quarto de cada um deles para o afiançar.
De manhã, quando fui á porta para retirar o saco do pão, lá estava o Tommy com o seu “renhau” tão característico e a apressar-se a entrar para ir petiscar qualquer coisa.
Que mais irá acontecer a este gato? … e a mim que não tenho culpa nenhuma.
Os morangos mais saborosos de toda a Europa são de Trás-os-Montes?
Produtor de morangos de S. Pedro Velho
Pois é verdade meus caros, os melhores morangos que se produzem no velho continente são os de S. Pedro Velho, freguesia do concelho de Vinhais bem “lá em cima” em Trás-os-Montes.
Passo a explicar:
Os meus colegas de trabalho e companheiros motard Octávio Silva e Henrique Castro, aquele transmontano de nascença e este por “contágio” da esposa, organizaram um fim-de-semana cujo mote era “Passeio á Festa do Morango” e que compreendia, entre passear de moto pela região, dar a conhecer aquele evento tão importante para aquele lugar e pessoas.
Apesar das previsões meteorológicas serem as piores para o fim-de-semana, não pensei sequer nisso e, na sexta-feira, cerca das 16:15, “arranquei” de casa com destino a Rebordelo, localidade do concelho de Vinhais, onde estava já reservado o alojamento na Hospedaria com o mesmo nome da localidade.
Pelo IP3 até Viseu, prosseguindo pela A24, com uma pequena paragem na área de serviço de Castro D’Aire para secar as luvas !!!! … na zona de Viseu, chuva intensa fez abrandar o ritmo da viagem para uns prudentes 80-90 kms/h.
Nesta área de serviço, troquei algumas impressões com uns motociclistas espanhóis, Asturianos, também eles bem molhados, e que se dirigiam a Lisboa para ver o MotoGP …
Após abastecer a moto e o estômago com um “café e pastelinho”, cruzei-me à saída com um grupo de mais 4 motard’s, estes bem portugueses de Bragança, e que tinham o mesmo destino. Deram-me uma excelente notícia: “o tempo, lá para cima, está melhor”.
Animado com esta informação, prosseguiu-se viagem pela A24, … Vila Real onde ponderei tomar o IP4 até Mirandela (ainda bem que não o fiz pois as obras provocam demoras e fazem redobrar a atenção),mas acabei por seguir até Chaves onde aí sim, tomei a N103 para Vinhais.
Estrada lindíssima, que não me lembro de alguma ver ter percorrido, bem asfaltada e com pouco trânsito (pelo menos naquele fim de dia de 6ª feira …) sempre rodeada de belíssimas paisagens … a repetir com sol.
Os cerca de 40 kms de Chaves a Rebordelo foram feitos sem chuva e revelaram-se o suficiente para relaxar dos “140 da velocidade de cruzeiro” da A24 quase sempre debaixo de água.
E após 289 kms, eram 19:30, chegada a Rebordelo, onde fomos recebidos pela simpática D.Irene, proprietária da Hospedaria, do café, do restaurante, do supermercado ,… e ainda prima do Octávio …
Duas fotos da Hospedaria de Rebordelo
A Hospedaria de Rebordelo, moderna e bem agradável, com preços que já não se usam, está excelentemente situada, com piscina, … recomendo a visita pois pode muito bem servir para “base” de passeios por toda aquela região. Tem mesmo um espaço onde se movimentam em completa liberdade um pónei, patos, galinhas, etc… se tivesse filhos pequenos seria um local a ficar um destes dias.
A D.Irene tratou de nos arranjar o jantar e fomos surpreendidos por umas alheiras, uma posta de vitela acompanhada com batatas e legumes que reconfortaram (melhor, empanturraram !!!!) os nossos estômagos. Só os transmontanos sabem receber assim como ficará provado mais adiante nesta crónica.
Sábado, juntar-se-iam a nós cerca das 11:00, o Henrique, o Octávio e o Carlos Nadais, que vinham do Porto, e o João Lourenço que tinha vindo logo na 6º bem cedo, pelo que a manhã foi calma e pudemos tomar o pequeno almoço no restaurante, bem junto à Hospedaria, sem pressas e onde desfrutámos da amabilidade de todas as colaboradoras que, na altura já se movimentavam na azáfama da preparação dos almoços.
Do programa do passeio de sábado, constava uma visita a uma fábrica de enchidos tradicionais e fui até “Enchidos Aurélio”, logo à saída de Rebordelo, onde me encontraria com a rapaziada que lá iria ter connosco o que aconteceu alguns minutos depois da minha chegada.
Os "Enchidos Aurélio" que visitámos
O Sr. Aurélio, explicou-nos todo o processo de fabrico dos enchidos e pude perceber que não tem problemas de stock pois toda a produção é escoada sem dificuldade. Não se tratando de produtos gourmet são, no entanto, produtos elaborados de forma tradicional e com muita procura … pena não “passarem do Porto para baixo” sendo distribuídos pelas lojas da região e pelos melhores restaurantes do Porto.
O Sr. Aurélio nas explicações
O próprio Sr. Aurélio, é produtor de porcos de raça bísara, conhecidos pela qualidade da sua carne e que fazem dos seus presuntos e enchidos verdadeiras delícias. “Pastam” em liberdade junto á fábrica e tem um efectivo de cerca de 100 animais.
Carnes já desmanchadas e temperadas para cozinhar e fazer as deliciosas alheiras
O fumeiro, explicou-nos, é feito apenas com madeira de carvalho de modo a que os enchidos não fiquem com cheiro dos fumos característicos do pinho e eucalipto, por exemplo, que desvirtuariam o sabor e o aroma das carnes.
Nos fumeiros de lenha de carvalho
Presuntos de porco bísaro em secagem
Presenteou-nos com um “mata-bicho” de pão de lenha e um salpicão “do outro mundo”, e com vinho de sua produção … eram cerca de 12:00 e ainda tínhamos que nos dirigir a Torre de D. Chama onde estava previsto almoçar na Padaria Santo !!!
Despedimo-nos combinando nova visita para domingo de manhã antes do regresso para levar uns enchidos e fomos até Torre de D.Chama, passando por S.Pedro Velho onde o Henrique foi buscar á adega 2 garrafões de vinho (mais vinho !!!!) para acompanhar o almoço.
Entretanto, tinham-se juntado a nós uns companheiros do Moto Clube de Vinhais que quiseram estar connosco neste dia, … malta rija e com “bom dente” prás buchas… eheheheh.
Eu próprio, O Bruno "Triple", Pinto, Octávio, João e Lino
Na padaria, a D.Idalina tinha preparado um leitão no forno do pão, com umas batatas assadas a lenha que nem vos conto !!! ..,. maldita dieta… nunca mais há maneira de a começar ou, melhor dizendo, já a comecei várias vezes mas interrompo-a sempre ….
A D. Idalina a explicar como funciona o forno a lenha
"Espectáculo !!!!" .. como diz o gordo.. eheheheh
A "bolacha" no colete do Bruno, Presidente do MC Vinhais
Já bem comidinhos ... o Bruno, o Carlos Nadais, moi-même, e o Lino
Depois do almoço, voltámos a S. Pedro Velho, local central de todas as festividades da Feira e Festa do Morango, onde, na sua praça, se realizavam as cerimónias alusivas a este acontecimento.
Em redor da praça podiam ver-se os vários produtores de morango, expondo e vendendo os seus melhores exemplares, produtores de outros géneros da região de que destaco os licores de várias frutas, o mel, o queijo, os enchidos, …
Não só os morangos eram óptimos como a simpatia destas senhoras os
tornavam ainda mais atraentes e melhores
E aqui, estas pequenas vendedoras de morangos que, na altura,
os ofereciam a quem quisesse ... umas queridas
Não podia faltar sabem o quê ???? … o vinho, pois tá claro !!!!
Os Gaiteiros de Leboção, localidade próxima de S. Pedro Velho
Alguns produtores da região tinham expostos os seus vinhos e estava disponível a sua prova mediante a aquisição dumas senhas. Começámos numa ponta e, já com grandes e evidentes dificuldades, acabámos na outra ,… pelo menos é o que eu acho que foi … como diria o Prof. José Hermano Saraiva, “Meus amigos … nham nham … ao fim de 3 ou 4 copos de diferentes vinhos, já nem sabia qual tinha sido o primeiro” …. Eheheheh.
O tempo foi nosso amigo e, se choveu, nem demos conta … ehehehehe
E a malta do Moto Clube de Vinhais tem cá uma “vasilha” e uma “embocadura” que nem vos conto !!!. O Pinto, o João, o Jonas e o Triple, bons camaradas que nos acompanharam sempre bem dispostos.
Nesta foto, de fato e gravata,o Presidente da Junta de Freguesia, Sr. Carlos Pires, que amavelmente recebeu toda a comitiva.
Do programa constava uma actuação do Grupo de Gaiteiros de Leboção, localidade próxima de S. Pedro Velho, da qual gravei uns momentos. A minha sensibilidade musical, já um pouco debilitada naquela altura, conseguiu ainda reconhecer sonoridades tradicionais que me encantaram. Parabéns ao grupo de gaiteiros pelas suas músicas e respeito pela tradição galaico-transmontana.
O Presidente da Junta de Freguesia, Sr. Carlos Pires, que amavelmente nos recebeu, tratava de toda a organização da feira com a eficiência de autarca já experimentado e, acredito, seja pessoa estimada e respeitada por todos dada a forma como todas as pessoas se lhe dirigiam.
Quem conhece Trás-os-Montes sabe que as suas gentes são acolhedoras e disponíveis … eu nunca tinha tido uma experiência assim … se eu dissesse que sim a tudo o que me ofereciam, ainda hoje lá estava a mastigar e a beber… chiça !!!
Bem, o dia acabou com um jantar oferecido pelo Presidente da Junta, no salão-convívio de S. Pedro Velho, ao que julgo saber, uma obra da população e contíguo ao qual está a ser construído um lar-centro de dia. Um exemplo de como as pessoas, com sentido de união, conseguem realizações que, noutros sítios, não são possíveis.
O Octávio ofereceu ao Sr. Presidente da Junta de Freguesia uma lembrança do MotoClube do BCP ... aqui o registado momento
Estes companheiros estavam ainda a decidir se haveriam de ir embora ou não ...
A Tuna de Mirandela
Já bem de noite e, após a actuação duma Tuna de Mirandela, regressámos á Hospedaria para descansar o corpo que a alma, essa, estava bem desperta e capaz de ficar ali mais umas horas.
Como o João Lourenço tinha que regressar bem cedo no domingo para ir ver o cortejo da Queima das Fitas a Coimbra, decidimos regressar á Hospedaria cerca das 23:30, tendo ainda ficado na festa o Carlos Nadais, o Octávio e o Henrique, que haveriam de chegar algum tempo depois …. nós chegámos sem problemas mas eles tiveram um pequeno percalço com a Varadero do Carlos … ao que me contaram, um fortíssimo e inesperado golpe de vento, vindo sabe-se lá de onde, mesmo à entrada da Hospedaria, fê-la tombar, felizmente sem estragos de monta e ninguém se magoou.
Ainda cá estou a pensar … como é que a “malta de Vinhais” deu com o caminho para casa !!!
De S. Pedro Velho pode ir-se para todos estes lugares ...
De manhã … o pequeno almoço do costume … mesa cheia.
Passámos pela fábrica de enchidos para levar o que conseguimos carregar e dirigimo-nos às Minas da Ervedosa, também conhecidas por Minas do Tuela, nome do rio que ali passa por entre elevadas escarpas que vai sulcando desde Espanha entre curvas acentuadas.
A caminho das Minas da Ervedosa
O Rio Tuela
Ponte sobre o Rio Tuela
As primeiras referências a estas minas datam de 1857, sendo de 1908 a sua primeira concessão a uma sociedade belga para extracção de arsénio e estanho. No entanto, há alguns historiadores que afirmam que os Romanos já tinham toda aquela região sob os seus interesses por saberem da existência de importantes jazidas de estanho.
Em 1917 a empresa abandonou os trabalhos e foi substituída por uma sociedade inglesa, Tuela Tim Mines que, nomeadamente em 1920, realizou importantes obras para a sua exploração. Construiu mesmo um gerador eléctrico no rio que alimentava um compressor que abastecia de ar toda a mina. Apesar disso, em 1927 voltou a encerrar a sua exploração que, cerca de um ano depois, foi adquirida por antigos funcionários que a mantiveram em funcionamento por aproximadamente mais 10 anos.
No seu auge de produção, as minas empregaram mais de 1000 operários, tendo, inclusive, sido construído um posto da GNR que servia, principalmente, para controlar os sindicatos operários nascentes.
Entre 1958 e 1969 a exploração fez-se dominantemente a céu aberto estando, desde então, encerradas. Em 2007, foram realizados alguns trabalho de exploração, mais uma vez por uma empresa inglesa, aguardando-se decisões sobre o investimento desta.
Visitámos, no alto dum monte do qual se avista toda a zona mineira, o túmulo do último Bennet, Carlos Lindley, família proprietária das minas, que morreu num acidente de aviação.
O túmulo do inglês como é conhecido
Era proprietário duma avionete em que se deslocava, tendo construído um pequeno campo de aviação, hangar e um campo de futebol, com bancadas, que servia apenas para a família e alguns convidados.
Prosseguimos viagem para a visita ao santuário de N.S. da Serra, a cerca de 5 kms de Bragança.
Neste monte, estão instalados vários equipamentos da Marconi, ainda em funcionamento e de que destaco uns enormes reflectores de sinal que se vêm bem ao longe, recortando a paisagem.
No cimo do monte, para além da óbvia construção religiosa, existem “dormitórios” que são utilizados por peregrinos que ali pernoitam nos dias da festa.
Abastecemos em Bragança já cerca das 13:00 e a fome já começava a fazer-se sentir … o almoço estava programado para perto de Mirandela e, primeiro pelo IP4 e depois pela N15, passámos por Jerusalém do Romeu … fiquei curioso com esta localidade e, logo decidi que, a seguir ao almoço, voltaria atrás para tirar algumas fotos.
O almoço na Toca da Raposa, posta mirandesa servido pela simpática Manuela, estava delicioso e foi “à burguesa” … cerca de 2 horas para almoçar, fumar cigarros, cigarrilhas e charutos … muitíssimo bom.
Enquanto o Henrique, Octávio e Carlos fumavam ou bebiam mais qualquer coisa, fui então de regresso a Jerusalém do Romeu para as fotos que tinham ficado prometidas.
A escola primária com a curiosa inscrição
"Aqui aprende-se a ser útil à Pátria"
A velha ponte do caminho-de-ferro da linha do Tua, perto de Mirandela
Uma passagem de nível na desactivada linha do Tua,
em Jerusalém do Romeu
De regresso, o Henrique despediu-se pois tinha que chegar ao Porto mais cedo e nós fomos até á cidade de Mirandela para mais uma “aguinha” na esplanada junto ao Tua que, para quem não sabe, resulta da junção dos rios Tuela e Rabaçal a cerca de 4 kms a norte daquela cidade.
Bem… despedidas feitas, prosseguimos pelo IP4 até que em Vila real nos separámos: eu para a A24 em direcção a Viseu e os resistentes Octávio e Carlos no sentido do Porto.
Em jeito de conclusão posso afirmar com toda a certeza que todos os participantes tiraram a maior satisfação deste fim de semana em que o S. Pedro colaborou não dando qualquer crédito às previsões meteorológicas, na forma fantástica como fomos recebidos por aquelas gentes que fazem das suas casas as nossas casas e ainda porque tivemos a oportunidade de visitar locais extraordinários porque estávamos acompanhados por “filhos-da-terra” que sabem ser cicerones como muito poucos.