quinta-feira, 6 de março de 2014

DICIONÁRIO ALENTEJANO



Décimas

 I
 Por cá no meu Alentejo
 Temos o nosso latim
 A Alcunha é ANEXIM
Cesto grande é CABANEJO.
Chamam CHATO ao Percevejo
A Gorjeta é MELHADURA
A Diarreia é SOLTURA
As Fezes INQUIETAÇÕES
Mas ó que lindas expressões
Vindas de gente tão pura!
II
Grande jantarada é PANCÃO
CARAMELO é Água Gelada
Pote de barro é AZADA
E ZEBRE Oxidação.
Homem traído é CABRÃO
Mulher de mau porte é ZORRA
Fêmea estéril é MACHORRA
Neste meu vocabulário
Eu ando a ler ao contrário
Isto é que vai uma PORRA!



            III
MORRINHA é Epidemia
E SISMA é fixação
DESASTRE é  Acidente de Viação
CHAPA é uma Radiografia.
CATARRAL é Pneumonia
Deitar fora é AVENTAR
CAGÁÇO é Medo a fartar
E RETOIÇAS são Brincadeiras
Chamam CABRAS às frieiras
Mas que dialeto invulgar !



IV
Ao vadio chamam GANDULO
GIRÓLMO é sempre Jerónimo
Um GAJO é um homem Anónimo
Estar cheio é estar de CAGULO.
Ao Inchaço chamam MATULO
BORREGA é Bolha no pé
Banco de madeira é GANAPÉ
E CEGA REGA é uma cigarra
Mas que prenuncia bizarra
Parece mentira até !



 V
VELHACAS são pessoas más
E TRONGAS Mulheres da vida
Multa é MURTA toda a vida
SONTORDIA, foi há um tempo atrás.
Chamam SOFÁZES aos Sofás
E COVA a um grande vale
MONQUITA é corrimento nasal
Ó ÁIK é Abalar à pressa
Para mim não há mais conversa
É um dicionário especial





VI
TROPEÇO é Banco de cortiça
E os TRÁSTES são a Mobília
Á Lagarta chamam ROSQUILHA
MELA e BÔBAS à Preguiça.
Chamam QUADRA à cavalariça
E aos Calos chamam GINETES
Fazer Caretas são MUNETES
Aqui e em todo lado
Eu cá fico admirado
Chamarem às Meias aos SUQUÉTES



       VII
 ABUINHA é Borboleta
IMPÁR é Gemer de dor
Fora daqui diz-se; ANDOR
Masturbação é PUNHETA.
A Mulher trigueira é PRETA
MOFINA é ser Egoísta
Quem protesta é COMUNISTA
Mas não creio nessa versão
TESTÓ, é para afastar o Cão
Ricas palavras à vista

VIII

ÁRENCU é Pirilampo
MIUTERA é Ponte de pau

Pano de azeitona é LARÁU

TUBARÕES são Cogumelos do campo.
ENTREMENTES é Entretanto
Chamam COITO à Coutada
Muitos cães, é uma CANZUÁDA
Mas que léxico tão bonito
Se vou sair; eu me QUITO
Mas volto, não tarda nada!



       IX
Cama no chão é CAMASTRALHO
Concha de buzio é BUZINO
Ao Soco chamam MOQUINO
COPA é Roupa de agasalho.
Chamam CHINAS ao Cascalho
E às beatas BARONAS
Os Amendoins são ERVELHANAS
CAREPA é Caspa a cair
Como é tão bom ouvir
Estas expressões Alentejanas
X
ESCARIÓTE é um ser fugidio
E o Armazém é um CASÃO
CISCO é resto do Carvão
ESCONFIQUE eu Desconfio.
Tudo o que é Arisco é GENTIO
E ao Orvalho Chamam MARGIA
Lamaçal é ENXÓVIA
E as CARRAÇAS são Carrapatos
São estes os meus relatos
Que fiz em versos de um dia



         XI
TRÁITA, é ter certo costume
BUZIO é estar Embaciado
BORCALHO é mal-educado
LUMINÁRIA é um grande lume.
Ao Suco chamam CERUME.
Um LARILA é um Maricas
Os TATARANHOS são Riscas
E ZAROLHO é quem vê mal
Neste canto de Portugal
ÀS Fendas chamam TALISCAS
XII
BOCA DO CORPO é a Vagina
REGEMENTO é o período pós parto
Chamam SARDÃO ao Lagarto
E QUINITA à Joaquina.
Coisa Ruim é MALINA
LOSTRAS são Manchas na pele
Um BARAÇO é um Cordel
MAIS QUE MUITOS é muita gente
BRINHOL é Fartura quente
Na boca do TI MANEL!





     XIII
Por fim, direi que é bizarro
Às Nádegas chamarem NALGAS
E às Mulheres ricas FIDALGAS
E QUARTA ao púcaro de barro.
Chamam MURRÂO à Cinza de cigarro
E a Mascara é uma CARAÇA
Muito barulho é ARRUAÇA
E as Faúlhas são CASTELHANOS
Estes vocábulos Alentejanos
Digam lá se não têm graça?
XIV
Ditas estas palavrinhas 
Muitas mais há para dizer
Não quero ninguém aborrecer
Com as minhas ladainhas.
Eu apenas segui as linhas
Do dialeto regional
Porém não quero deixar mal
Todos os Alentejanos
E os meus queridos conterrâneos
Do concelho do Alandroal.







segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

DE PASSAGEM PELOS ESKIMÓS 2014

Olá pessoal:

Este ano, a minha ida aos Eskimós resumiu-se a uma pequena passagem para lá  ir almoçar com uns amigos.

Por motivos que não interessam aqui para nada, não pude cumprir o programa costumeiro: ir no sábado bem cedo, dormir na tenda "climatizada" pelos buracos das fogueiras e regressar depois de almoço no domingo.

Mas não quis faltar ...

Saí de casa eram já cerca de 10:30 com um lindíssimo dia de sol como há meses já não me lembrava de ver.

Cumprido o habitual trajecto até Seia (IP3, IC6, EN17 ...) subi à serra e dirigi-me ao Parque de Campismo do Vale do Rossim.

No início a serra estava "feia" ... pouca e desinteressante vegetação ... sem sinal de neve que, diga-se, nem esperava encontrar.






Na sexta-feira tinha visto umas fotos que a rapaziada do Moto Clube de Vila do Conde disponibilizou no facebook e quase não havia neve ... os restos que se mantinham eram resultado dum nevão que tinha ocorrido há já alguns dias.



No entanto, e enquanto subia, a neve começava a dar os seus primeiros sinais de existência...



Apesar de limpa, a estrada apresentava, em muitos pontos, uma camada de fino gelo que fazia "adornar a traineira" ...


Com  bastante cautela e reduzida velocidade, continuei a subida da serra pela N339 que se dirige para a Torre, tomando no seu percurso e antes do Sabugueiro, a N232 que me levaria até ao cruzamento para o Vale do Rossim.




Entretanto, a neve ia aumentando a sua presença e a temperatura baixava para uns frios 1,5º




Por esta altura, já muitas pessoas brincavam na neve pois a estrada estava interrompida mais acima.


Linda que estava a serra ... aqui já perto do parque de campismo, local da concentração e com muita neve por toda a serra.



Apesar de limpa, a estrada mostrava-se perigosa e a condução tinha que ser feita com redobradas cautelas.


A entrada do parque de campismo do Vale do Rossim.



Algumas das motos de quem estava a tratar da inscrição e onde era impossível estacionar pelo gelo ali presente.


E a habitual simpatia das colaboradoras do MotoClube de Vila do Conde, nas inscrições.




Fiz uma tentativa para estacionar lá dentro mas tal revelou-se difícil, senão mesmo impossível ...
A enorme LT não gosta de pisar terrenos assim ... 
Acabei por a deixar cá fora, mesmo ao pé da ambulância que presta assistência aos participantes pois não consegui mesmo estacioná-la com a camada de gelo e neve.



O parque estava assim ... um enorme nevão que começou a cair na sexta-feira à noite e se prolongou até de madrugada, fez com que o parque ficasse pintado de branco, duma beleza só confirmada presencialmente...



A circulação era quase inexistente e mesmo os "4 rodas" circulavam com dificuldade ...


Quem tinha já estacionado não pensava em voltar a mexer na moto ...



Linda a paisagem ...



A tenda da música rodeada de neve que escorria da sua abóbada ...



E as próprias árvores faziam lembrar cenários de Natal noutras paragens de latitudes mais a Norte ...



Nesta foto, ao centro, o Tó Padeiro, o incansável presidente do Moto Clube de Vila do Conde, sempre  atento para que nada faltasse aos participantes.



e as fotos dispensam legendas ...




Um enorme monte de lenha estava ali mas ... não se viam fogueiras tanta era a neve.




Esta rapaziada tinha chegado pouco antes de mim e estavam a "montar o acampamento" sob a protecção duns pinheiros ...



O local onde habitualmente acampo ... xiiii




A malta do clube 125 ...



No entanto, quem veio na sexta-feira, ficou assim ...
Em segundo plano, a Suzuki do Roberto, galego presença habitual nos Eskimós com a sua gaita de foles ...







A GS do Phil ...




E era chegada a hora do almoço...
Como não ia ficar, comprei apenas  a senha do almoço ... 5,00 !!!
Ainda dizem que a vida está difícil ... a malta do MotoClube de Vila do Conde contraria esta tendência... almoçar por 5,00 entre amigos ... não é nada caro !!!!






Os habituais voluntários na distribuição da refeição ...




Que era uma deliciosa feijoada, com uma quente sopa de legumes, vinho (no meu caso) e como sobremesa um doce de que já não me lembro o que era ... com o frio as gotas não fazem o efeito que o médico me disse que faziam.



A tenda da bucha já mais composta ...

Em conversa com o Tó Padeiro, fiquei a saber que, apesar do mau tempo que se tem vindo a sentir por todo o país, o número de inscritos na sexta-feira era já superior ao registado no mesmo dia do ano passado.
Estávamos ambos em crer que, por sábado estar um dia bonito de sol, iria ser ultrapassado o número de participantes ...
E pela quantidade de motos com quem me cruzei depois do almoço ... talvez tenha sido mesmo ultrapassado.


Phill, Nigel e Dave

Almoçaram connosco estes ingleses que vieram de propósito para participar nos Eskimós.
Pelo que me contaram, estiveram também nos Pinguins onde foram distribuídos uns flyers dando conta da realização dos Eskimós ...
Daí a terem colhido algumas informações sobre esta concentração invernal portuguesa foi um passo e decidiram vir ver como era ...
Uma viagem de 4 dias em que apanharam o ultimo barco disponível para travessia do Canal da Mancha cujas ligações foram suspensas devido ao mau tempo.



Depois de almoço ainda fui ao "bairro" do Clube XT para ver se, finalmente, conhecia o Edgar (Vadio da XT) mas, ainda não foi desta ...


Um cafézinho depois de almoço com o meu amigo Osório, de Vila Nova de Gaia, que também não falha a um Eskimós ...

E não tenho mais nada para contar porque ... me vim embora com muita pena .... sniff... snifff... buáááááá´....


domingo, 2 de fevereiro de 2014

FRASE DE PANTEÃO NACIONAL DO DIA



Não se preocupem onde sepultar o meu corpo ... preocupem-se sim com aqueles que querem sepultar o que ajudei a construir.
Salgueiro Maia (01-07-1944 - 04-04-1992)